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31 de janeiro de 2011

Fidelidade

Fidelidade
Eu tive uma colega de trabalho que tinha um cunhado dito perfeito. Ótimo marido, atencioso, carinhoso, dedicado, bom pai para suas filhas pré-adolescentes, ótimo caráter, enfim, perfeito! Motivos de sobra para suas cunhadas suspirarem comparando com seus companheiros menos perfeitos.  Vou chamá-lo de Pedro.
O único probleminha de Pedro era na área financeira. Apesar de trabalhar em uma grande empresa, sentia-se injustiçado financeiramente e sonhava ter seu “negócio próprio”, que era ter um barco de pesca de camarão que, segundo ele, daria muito dinheiro. Para a realização de tal sonho, contou com a colaboração de sua dedicada esposa que começou a vender roupas e num prazo muito curto, já contava com uma equipe de sacoleiras, faturando o suficiente para se mudarem para um apartamento melhor e para assumir, ela sozinha,  todas as despesas da casa, deixando Pedro à vontade para construir  seus sonhos.
Depois de 4 ou 5 anos o tão esperado barco ficou pronto e Pedro pode pedir a demissão da empresa e se lançar de corpo e alma ao seu sonho tornado realidade.
Infelizmente, devido à dívidas acumuladas ao longo dos anos de construção do barco, aliado à dificuldade em conseguir mão de obra especializada na pesca do camarão, etc, etc. etc. Pedro teve que se desfazer do tão sonhado barco. Isso mesmo, antes que as coisas ficassem piores, Pedro vendeu o barco de pesca e começou a trazer peixe da praia para vender na cidade, o que fez por 1 ou quase 2 anos até que, numa dessas coisas improváveis que acontecem, um acidente bobo por conta de uma lombada nova no caminho já tão conhecido, Pedro sofreu um acidente e morreu!
Foi um grande desespero para a família dele, para a família dela e  para tantas pessoas que o conheciam e o admiravam, até que no velório apareceu uma senhora também desesperada, acompanhada de 3 filhas adolescentes e um menino menor, chorando compulsivamente, quando veio à tona todo o passado tão bem guardado por Pedro: Ele tinha duas famílias!!
Ainda confusa, mas já com os olhos secos diante de tamanha surpresa e decepção, a viúva (irmã de minha colega) comentou: “Se ele não estivesse morto, eu o mataria!”.

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